Câmara Municipal
Profissionais veem situação de calamidade e relatam famílias inteiras doentes nas aldeias
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Superintendente do HU-UFGD, Hermeto Paschoalick integra equipe de médicos em atendimento na Força-Tarefa de órgãos federais - Crédito: Divulgação HU-UFGD/Ebserh

Famílias inteiras com sintomas de Febre Chikungunya estão procurando o atendimento de uma força-tarefa de órgãos federais montada na aldeia Jaguapiru, como parte das ações de combate à epidemia da doença que atinge a Reserva Indígena de Dourados. O local onde a estrutura foi montada ficou lotado nesta terça-feira, dia 17, quando a ação teve início.

“Mãe vindo com criança aqui doente, é a mãe e o pai, o que ficou em casa. Enfim, são famílias inteiras aqui sendo acometidas por esse vírus, porque a grande maioria das pessoas não vão manifestar os sintomas. Então, são esses pacientes que a gente tem visto nessa situação um tanto de calamidade como vocês podem ver aqui desde cedo já lotado para atendimento. Então nós precisamos mobilizar essa Força-Tarefa, uma união aqui juntas até voluntariamente, para tentar ajudar”, afirma Andyane Tetila, médica Infectologista do HU-UFGD/Ebserh (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares).

Andyane Tetila, médica Infectologista do HU-UFGD/Ebserh durante mutirão de atendimento nas aldeias - Foto: Divulgação/HU-UFGD/Ebserh 

Ela explica que uma das particularidades da Chikungunya é o fato de que cerca de 70% das pessoas infectadas não apresentam sintomas. “Como [a doença] nunca passou aqui trazendo a imunidade duradoura por contato prévio, o vírus nunca circulou dessa forma no nosso município, as pessoas são suscetíveis”, detalha, explicando o aumento súbito de casos.

A infectologista está em atendimento nas aldeias junto com uma equipe que ainda inclui mais médicos, enfermeiros, residentes em saúde indígena e farmacêuticas, somando aos profissionais que fazem busca ativa em campo. A ação é parte de uma cooperação entre o HU-UFGD/Ebserh, Sesai (Secretaria Nacional de Saúde Indígena) e FN-SUS (Força Nacional do Sistema Único de Saúde).

Os pacientes passam por uma triagem inicial na UBS (Unidade Básica de Saúde) da Aldeia Jaguapiru. Se forem constatados sintomas de Chikungunya, eles são encaminhados para uma estrutura montada na sede da Renovação Guateka que funciona como se fosse um ambulatório mais amplo, perto do posto.

“Para que aqui a gente faça a notificação adequada, colete os exames para o diagnóstico e, nos casos necessários, a gente faça a medicação aqui mesmo para controlar algum sintoma e o paciente já sai daqui medicado e com o medicamento para tomar em domicílio”, explica o superintendente do HU-UFGD, Hermeto Paschoalick.

Os profissionais detectam em qual das três fases da doença está o paciente e, em casos mais graves, os adultos são encaminhados para o Hospital da Missão e as crianças para o PAP-R (Pronto Atendimento Pediátrico Referenciado) do HU-UFGD/Ebserh.

“Nós estamos vendo muitos pacientes com muita queixa de dor, algumas crianças com quadro febril ainda agudos também. Mas, o mais característico da Chikungunya é a dor, a dor nas articulações, a dificuldade de conseguir caminhar com o corpo, a dificuldade de andar, de ambular de forma correta” explica Andyane, detalhando que além da dificuldade de locomoção, ainda há possibilidade de inchaços e até comprometimento da coluna, além dos efeitos sociais como a dificuldade de voltar ao trabalho.

Em alguns casos esses sintomas podem durar de três meses até dois anos, por isso é importante procurar um médico quando há suspeita. “Nesse momento, no nosso município, o vírus que está circulando é o da Chikungunya, não é Dengue. Então, todo caso de febre, cefaleia, dor no corpo, dor nas articulações, nas juntas, é Chikungunya até que se prove o contrário”, relatou.

CASOS

O quarto caso de morte pela doença na Reserva Indígena foi divulgado no início da tarde desta terça-feira, pela prefeitura. Trata-se de uma idosa de 60 anos que morava na aldeia Jaguapiru. Além dela, também morreram por complicações da doença uma mulher de 69 anos e um homem de 73 anos que moram na mesma aldeiam e um bebê de três meses que residia na aldeia Bororó.

Ao todo, Dourados tem 407 casos notificados na Reserva, desses 202 foram confirmados, 81 ainda em investigação e 24 descartados.

Desde a semana passada, agentes de endemias da prefeitura de Dourados fazem um mutirão de combate de focos do Aedes Aegypti, mosquito transmissor da doença, junto com equipes do município de Itaporã, do Governo do Estado e agentes de saúde indígena da Sesai.

Isso porque segundo o CCZ (Centro de Controle de Zoonozes), 70% dos casos registrados na cidade estão nas aldeias; e cerca de 90% dos focos encontrados estão em caixas d’água onde a comunidade armazenam água para beber, se alimentar e fazer higiene, devido à falta de rede de abastecimento.

Os dados mais recentes de Boletins Epidemiológicos da SES (Secretaria de Estado de Saúde), apontam que este ano foram 209 casos confirmados de Chikungunya e três mortes, enquanto no mesmo período do ano passado foram três casos positivos e ninguém morreu vítima da doença.

Os números deste ano já são maiores do que os registrados em todo 2025, quando houve 152 casos positivos e a morte de um idoso, de 76 anos, que tinha diabetes como comorbidade.

Por: DouradosNews

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