
Após denúncias de assédio sexual e assédio moral contra alunas da Academia da Polícia Civil, depois do concurso realizado no ano passado, o delegado Wellington de Oliveira entrou de férias e o delegado Clever José Fante — corregedor da polícia — assumiu o cargo na ouvidoria.
A portaria das férias de Wellington foi publicada nesta terça-feira (24). “Designar CLEVER JOSE FANTE ESTEVES, Delegado de Polícia, Classe Especial, Corregedor Geral da Polícia Civil/MS, para responder, sem prejuízo de suas funções habituais, nos termos do artigo 13, incisos IX e X e c/c o artigo 127, inciso IV da Lei Complementar nº 114/05, pelo expediente da Ouvidoria da Polícia Civil, no período de 24 de março a 7 de abril de 2026, em razão de gozo de férias de Wellington de Oliveira. Campo Grande, MS, 23 de março de 2026.”
A designação do delegado Clever foi assinada pelo delegado-geral, Lupérsio Degerone Lucio.
São oito salas nas quais o delegado Wellington ministra aulas — e, em todas, houve denúncia, por parte das alunas, de assédio sexual e moral. “Ele perguntou quanto tempo ficaria em um motel com alguém”, disse uma das alunas, revoltada.
Em outra ocasião, Wellington teria dito às alunas que elas teriam ‘cara’ para serem ótimas “prostitutas infiltradas”. “A revolta com esta situação é muito grande”, disse um aluno, que não quis se identificar. O delegado chegou a perguntar para uma das alunas sobre gostos sexuais e preferências com o marido.
Além das denúncias de assédio sexual, teria ocorrido assédio moral. “Se não estão gostando, vão reclamar, mas não vai dar em nada, porque faço parte do Conselho da Polícia”, teria dito o delegado. Wellington de Oliveira ainda faz parte da Ouvidoria da Polícia Civil e integra o Grupo Técnico criado após o feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte.
A denúncia de assédio foi feita à direção da Acadepol, que enviou o caso para a Corregedoria. Uma ata foi produzida e assinada por todos os ‘xerifes’ — que são os líderes de sala —, pelas vítimas e por outros alunos, que foram ouvidos como testemunhas.
O concurso da Polícia Civil ocorreu no fim do ano passado, e as aulas na Acadepol tiveram início no dia 27 de janeiro deste ano.
Todas as vítimas foram ouvidas por uma delegada, que fez o encaminhamento do caso. O Jornal Midiamax entrou em contato com a Corregedoria e a Polícia Civil sobre as denúncias.
Em nota, a Polícia Civil confirmou as denúncias e relatou que o delegado já concluiu as aulas. Além disso, a Corregedoria já apura a situação. Assim, nesta semana, testemunhas e vítimas devem prestar esclarecimentos.
Confira a nota na íntegra:
“A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul informa que recebeu as denúncias mencionadas e esclarece que os fatos foram formalmente encaminhados à Corregedoria-Geral da Polícia Civil, órgão competente para a apuração de condutas funcionais, tendo sido instaurado Auto de Investigação Preliminar (AIP), procedimento destinado à verificação inicial das circunstâncias noticiadas.
No curso da apuração preliminar, serão adotadas as diligências necessárias ao esclarecimento dos fatos, incluindo a oitiva das pessoas envolvidas, bem como a requisição de informações junto à Academia de Polícia Civil (ACADEPOL), especialmente no que se refere à disciplina ministrada, critérios de avaliação e demais elementos relacionados ao contexto relatado.
Esclarece-se, ainda, que a disciplina ministrada pelo aludido professor já se encontrava integralmente concluída quando do recebimento das denúncias, razão pela qual, no momento, não ministra mais aulas na ACADEPOL, bem como não participa atualmente de nenhuma outra atividade funcional relacionada às atividades acadêmicas em andamento na instituição.
A Polícia Civil ressalta que a apuração será conduzida com estrita observância dos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, não sendo admitida a formação de juízo de valor antecipado antes da conclusão do procedimento, garantindo-se a imparcialidade e a regularidade na condução dos trabalhos pela Corregedoria-Geral.
A Instituição reafirma que toda notícia de eventual irregularidade é apurada com seriedade e responsabilidade, nos termos da legislação vigente e das normas disciplinares aplicáveis.”
O Jornal Midiamax também entrou em contato com o delegado Wellington de Oliveira por telefone. Ele nega as acusações.
“Bom, primeiro que, em hipótese alguma, aconteceu isso. Eu era professor porque acabaram já as disciplinas da academia, de teoria geral de investigação criminal, e essa teoria, essa disciplina, ela visa principalmente ensinar o policial, o novo policial, a pensar de forma lógica, com método hipotético, dedutivo, e os exemplos, eles são de cenários reais, são simulações do que acontece na nossa sociedade no dia a dia”, pontuou.
Ainda conforme Wellington, alguns casos são exemplos que envolvem violência e “temas sensíveis, mas em hipótese alguma houve assédio sexual ou moral em relação a ninguém. Pode ser que algum aluno tenha se sentido ofendido com algum exemplo e tenha feito essa denúncia na academia, que está sendo apurada agora pela Corregedoria-Geral, e eu vou aguardar as apurações dentro do devido processo legal”.
“O que aconteceu foram recortes e falas de exemplos descontextualizados, fragmentados de exemplos que eu dei em sala de aula para justamente esclarecer a doutrina, os cenários que acontecem no dia a dia. Para você ter uma ideia, faz 20 anos que eu estou a mesma disciplina na academia de polícia, e nunca nós tivemos problema em relação a isso”, finalizou o delegado.
Delegado Wellington foi eleito em 2016, tentou reeleição em 2020, mas não conseguiu voltar à cadeira do Legislativo de Campo Grande.
Por: Midiamax
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